segunda-feira, 11 de abril de 2016

Deriva

Perdida na noite
fria, vazia
e surda,
espero o resgate:
o resgate do que fui
e do que poderia ser,
no desgaste do que sou.

Penso para onde vou
e por que não vou.
Aonde devo ir?
No caminho que percorri,
o sentido já perdi,

e já não faz sentido
ficar ou partir.
Já não sinto
e não me encontro
dentro ou fora de mim.

Sozinha, à noite,
tento fechar meus olhos
e achar aqui dentro
a luz que se apagou,
a canção que ora tocou,
o resgate de um sentimento...

(15/02/2016)

"Bell Rock Lighthouse" - J. M.William Turner (1819)

sábado, 16 de março de 2013

Três da manhã (Très)

a poesia
me chamou
com sede
virou de frente
e verso
e na terceira
margem
virou
poema

e aquela lembrança
que não sai de mim
virou palavra
em silêncio,
na vertical
madrugada

A poesia não quer dormir...


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Rascunho

Fazia tempo que não parava pra pensar num poema...
Estive treinando nas dunas do Santinho e andei refletindo sobre o momento que estou passando em minha vida, sobre o qual não vou falar senão em forma de rascunho de poema . Tá péssimo, mas como não quis perder a idéia, resolvi colocar no blog. A idéia central é que tudo muda, e nada melhor que as dunas pra representar isso.


Ampulheta

as dunas se movem
e me removem
todo o mal

a duna se renova
eterno encontro
de areia e sal

e chego ao mar
pra mergulhar
nos pensamentos

em meio ao vento,
sal e suor
me reinvento

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Palavra guardada

o que não se diz
o que não se
diz
contra
diz

o que se declara
a fala
mascara
condiz

se o que se sente
não se fala
é que não há
palavras

o que só o coração vê
a boca
mascara

na palavra
resvala
o que não se quer

e a boca cospe
lava

no coração
se guarda
o que não se sabe dizer

e a boca bebe
a lágrima

segunda-feira, 8 de março de 2010

Diálogo na montanha

Perguntais por que moro na verde montanha.
Intimamente sorrio, mas não posso responder.
As flores de pessegueiro são levadas pela água do rio...
Há outro céu e outra terra, para além do mundo dos homens.

Li Po, poeta chinês. Tradução: Cecília Meireles.




Imagem do site 


domingo, 7 de março de 2010

Solitudine

você é meu tudo meu nada . tudo que pode haver e desavir em mim . o dia a noite . a soedade acompanhada

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Mário Quintana

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Fonte:QUINTANA, Mário. Esconderijos do tempo. Porto Alegre: L&PM,1980.